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GLENN STENGER CABECA hojesc

Acabaram os campeonatos estaduais. Mas eles deveriam ter começado?

Todo ano a mesma celeuma. Campeonatos estaduais deveriam ou não deveriam existir?

Quem acompanha nossas conversas, já sabe a opinião desse escriba. É obvio que não!

À exceção do campeonato paulista que possui patrocínios, visualização e premiação condizentes, todos os outros não poderiam mais estar acontecendo.

São deficitários ao extremo, tem nível técnico baixo, podem lesionar atletas que custam milhões aos clubes. Não trazem retorno técnico e muito menos financeiro.

São fardos para os clubes carregarem, por conta do sistema em que estão incluídos.

As Federações regionais obrigam a participação (sob pena de exclusão). O clube não pode sequer jogar com atletas de pouca idade ou com uma equipe alternativa, pois o torcedor comum não entende o processo. Quer que se seu time ganhe e ponto final.

Há pressão por resultado, sem qualquer ganho, sem qualquer atrativo, sem qualquer benesse.

Mas, o que vimos nos últimos dois finais de semana foi ainda pior.

As finais dos campeonatos gaúcho e mineiro (dois dos cinco estados mais importantes para o futebol do país) foram palco de incivilidade, práticas antidesportivas e discursos agressivos. O mineiro, principalmente, ficará marcado, por décadas, pela batalha campal que hoje está sendo mostrada no mundo todo.

Lá “na gringa” poucos entenderão que as dezenas de pontapés dados nas duas finais de gauchão, são ocasionadas pela “alta temperatura” do clássico regional. Poucos entenderão que a pancadaria generalizada, na final do mineirão, é decorrente de rivalidade acirrada. Todos lá estão vendo o fiasco produzido pelo futebol brasileiro como um todo.

Comercialmente falando, o que agrega a visualização dessas imagens mundo afora? O que agrega a difusão desse conceito de violência no futebol brasileiro?

Nada!! Só atrapalha.

E mais: os jogadores só fazem isso pois sabem que tomarão suspensões que só incidirão nos próximos campeonatos regionais. Não tem validade para os torneios que realmente importam. Assim, eles aproveitam até para ter mais folga no início do próximo ano, no próximo torneio estadual que disputarem.

Perda de tempo. Perda de dinheiro. Perda de prestígio. Essa é a tradução do que vimos e continuaremos ver nos próximos anos na disputa dos estaduais.

Se o motivo for nobre, como oferecer condições de jogo, calendário e projeção para atletas que não atuam nas principais equipes, que se estabeleça outro modelo de disputa. Que as federações sejam as fomentadoras.

Continuar nesse molde só vai descredibilizar os torneios cada ano mais. Os clubes vão ter que arcar com mais prejuízo. E o processo de venda do produto será cada vez mais difícil.

Em tempo e para registro: nada foi mais bizarro que o pênalti marcado no campeonato amazonense. O juiz marcou a penalidade pelo fato do goleiro ter feito uma defesa utilizando, pasmem, as mãos…

Isso, lá fora, é motivo de piada, de chacota. Isso só diminuiu o valor de nosso produto…

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