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GLENN STENGER CABECA hojesc

A Itália fora da Copa é uma bobagem sem tamanho!

Fui provocado pelo amigo Ricardo. Amigo de décadas e que, assim como eu, já viveu o bastante para não ficar preso em algumas das bobagens que corporativismo e discurso politicamente correto nos mandam dizer e seguir hoje em dia.

Enfim. A Itália ficou fora da Copa. Não só dessa, mas das outras duas últimas também. Incompetência, falta de gestão no futebol, arrogância? Talvez tudo isso colocado num balaio só, sacudido e bem misturado.

Mas aí é que vem o questionamento. Sabemos (eu e o amigo Ricardo) que não é a mais justa das decisões. Mas, afinal, o que é justiça (principalmente no país em que vivemos)?

Será que não é o caso de se estabelecer parâmetros para que algumas das seleções sempre estejam na disputa? Será que tudo que representa um selecionado italiano, argentino, brasileiro, alemão, não deve garantir sempre uma vaga para essas equipes, independentemente de suas eventuais e atuais mazelas?

Futebol é dinheiro, exposição, cultura enraizada. Futebol é ópio que faz toda uma torcida, uma nação, um povo, unir-se em prol de um horizonte comum. E essa união, essa sinergia, gera dinheiro, gera retorno, gera engajamento e entretenimento.

Paremos de colocar o capuz de paladinos da justiça quando sequer conseguimos tratar corruptos como devem e merecem ser tratados. A justiça nunca deveria ser seletiva. Se serve na política, serve no futebol, nas empresas, na sociedade, em tudo. Se na política toleramos, qual o motivo nos faz não tolerar um ajuste (com justificativa bem plausível) num torneio de futebol?

Voltando ao tema. Alguém aqui acha bacana um campeonato brasileiro sem Corinthians, Flamengo, Palmeiras, Grêmio? É claro que não. Eles geram tudo que o campeonato precisa. Do entretenimento ao resultado financeiro expressivo.

Seria justo manter sempre esses times na elite brasileira, mesmo que seus desempenhos não fossem condizentes? Não, não seria. Mas aí se questiona: o campeonato é melhor e mais rentável com ou sem eles? Nem preciso responder…

Subamos de patamar e elevemos o nível do jogo. Cheguemos aos selecionados.

É bom, é rentável que Argentina, Alemanha, Brasil, França, Espanha, Itália, fiquem fora de uma Copa do Mundo? É óbvio e ululante que não! Ou alguém prefere destinar seu tempo para assistir Uzbequistão e Curaçao ao invés de Itália e França, por exemplo?

Nas minhas décadas de existência, e já com alguma rodagem pelo mundo, nunca vi camisas de Jordânia, Congo, Catar serem procuradas em ritmo histérico em lojas. Sequer ouvi qualquer discussão que gerasse engajamento acerca do desempenho desses esquadrões.

Os principais selecionados, que já garantiram lugar nos rankings de visibilidade, engajamento e, principalmente, receita, deveriam ter lugar cativo em qualquer Copa que vier a ser realizada. Às favas o conceito purista de justiça. Ainda mais num momento em que o mundo todo está fazendo justiça do modo que acha que deve e não do modo que ela deveria ser feita.

Os conceitos de igualdade e de equidade precisam ser revistos, atualizados. Dinheiro não aceita desaforo. Se for jogado fora, não volta mais. Deixar a Itália fora de uma Copa do Mundo, com todo o retorno que essa seleção traria, é uma bizarrice sem tamanho. Ainda mais num mundial inflado e até caricato como esse que vamos vivenciar pela primeira vez.

Não dá mais tempo de consertar para esse torneio. Mas dá tempo de mudar a forma de pensar para daqui quatro anos.

E não esqueçamos de marcar, tão logo saia a tabela, as datas dos jogos de Iraque, Uzbequistão, Curaçau, Haiti dentre outros. Serão imperdíveis…

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