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A (in)segurança na passagem de bastão

A (in)segurança na passagem de bastão

bastão

Concluída a passagem de bastão, a sucessão diretiva entra em uma nova etapa. Ela é marcada mais por aspectos emocionais, pessoais e de percepção profissional do que por questões técnicas: a convicção do sucedido e do sucessor de que “darão conta do recado”. Como fica, então, o day after dessa transição?

O sucedido deixa a gestão levando a saudade e a carga emocional de mais um ciclo, seu e da empresa, e se pergunta como ficará o sucessor em qualificação técnica, equilíbrio emocional e liderança. Já o sucessor, passada a euforia do novo status (não é mais apenas herdeiro, mas sucessor diretivo), passa a questionar a própria capacidade de entregar resultados. É quando cai a ficha de que o cenário é outro.

Na minha visão, esse momento exige um pacto de confiança, tácito ou expresso. A percepção da necessidade de sucessão é uma luz no fim do túnel diante de uma dor que poderia se agravar, e é por isso que tratamos a família empresária como solução antecipada. Mas, encerrado esse ciclo, a dúvida sobre se vai dar certo paira dos dois lados.

A resposta está nos mecanismos de governança, com vigilância recíproca. Ela inaugura um ciclo mais técnico e profissionalizante: o do desprendimento. O sucedido precisa dosar o tom do seu acompanhamento, sem ser invasivo, e reconhecer que o sucessor está capacitado para conduzir o negócio.

Ao sucessor cabem tolerância e sensibilidade humana. Buscar a própria identidade é legítimo, mas não por mera oposição, do tipo “preciso ser diferente do meu pai”. O equilíbrio está em respeitar o trabalho anterior e ter visão própria, provavelmente mais contemporânea, compreendendo as manifestações do sucedido e o custo emocional e técnico que a transição representa para ele.

Em síntese, a temperança, o equilíbrio e a sensibilidade dos dois lados transformam a (in)segurança da passagem de bastão em segurança.

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