Faz poucos dias que falamos sobre o domínio financeiro que a FIFA possui sobre seus confederados. Mostramos que os votos de potências no futebol como Brasil, Itália, Alemanha, Argentina, Espanha, França (para não citar outras mais), tem o exato mesmo peso do voto das federações da Zâmbia, Cabo Verde, Trinidad e Tobago, Paquistão, Uzbequistão e Camboja (também citados aqui como exemplos).
O número de países filiados e sem expressão é muito superior ao número de países que possuem tarimba para estar à frente de processos decisórios. É muito mais fácil e barato manter os dirigentes dessas federações inexpressivas “presos” aos mimos que sabem que terão se continuarem a endossar o que a FIFA propuser, do que ter que negociar situações que possam modificar o rumo do esporte no mundo.
Pois bem, a FIFA deverá reeleger seu presidente até 2031. Afinal são as federações nacionais que votam para mantê-lo no cargo. E o presidente tentou estabelecer prazo de 90 dias para aprovação da criação de uma “subsidiária” comercial que fará a comercialização dos direitos das próximas Copas. Quem poderia imaginar que ele, com a maioria das federações na mão para reelegê-lo, faria de tudo para transferir as receitas para empresas privadas, não é mesmo? Quase impossível pensar nisso (contém ironia em dose cavalar…)!
A UEFA (federações europeias) já se posicionou contrariamente. No voto certamente perderia. Propôs, então, um esvaziamento das competições orquestradas pela FIFA. Mais que um esvaziamento, um embargo e uma saída em bloco de todas as seleções que a compõem.
Em primeiro momento deu certo. O careca todo poderoso (não, não estamos falando do presidente de fato do nosso País, estamos falando do presidente da Fifa), deu passo atrás.
Mas o que se crê é que deu um passo atrás para poder dar dois passos à frente logo adiante. Já iniciou conversas com as Confederações mais “suscetíveis à agrados”. A Sul-americana por exemplo. A Africana, idem.
Mais que a venda por si só e as vantagens financeiras que o processo traria para os envolvidos, há uma disputa clara de poder. O careca Gianni Infantino não poderá mais permanecer no cargo, pós 2031. Parece distante. Mas isso já lhe tiraria todo o domínio sobre a Copa de 2034. Só colocar uma pessoa de sua “linhagem” à frente da Fifa não garantiria que todos os acertos e ajustes fossem feitos de acordo com todos os interesses envolvidos.
Deixar a Copa do Mundo sob regulação comercial de uma “empresa” privada é o sonho de quem hoje já a tem em mãos e que, sob a batuta dessa nova “empresa ganhadora dos direitos”, poderia perpetuar o controle.
Futebol, aquele visto no campo, é para os “tolinhos”. Dinheiro e poder estão caminhando lado a lado quando se fala no produto futebol em si. Quem não enxergou isso ainda ou faz parte dos tolos ou dos que estão querendo alguma benesse.
Quanto à previsão do que acontecerá com o processo de venda das Copas, sinceramente não sei cravar. Somos muito “pequenos” para entender e colocar num mesmo “balaio” tudo que será arquitetado ao longo dos próximos meses.
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