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MANOEL KNOPFHOLZ CABECA HOJESC

A empresa de gestão de ativos no contexto da família empresária

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Considerando que as famílias empresárias são aquelas que gravitam em torno de três ativos — a família, a empresa e o patrimônio — entende-se que há a necessidade de governança e gestão de cada um desses ativos de forma distinta, respeitando a lógica própria de cada um deles.

Governar e gerir uma empresa é diferente de gerir ou governar um patrimônio, assim como é diferente de gerir e governar uma família.

O principal benefício de se tornar uma família empresária consiste exatamente na divisão e na visão sistêmica desses ativos, os quais devem ser geridos, percebidos e exercitados de formas distintas.

A empresa combina fatores de produção com a finalidade de gerar lucro.

O patrimônio, composto por bens móveis, imóveis e semoventes, precisa ser rentabilizado.

A família, por sua vez, deve ter suas relações de parentesco preservadas com harmonia, união e perenidade.

Cada um desses ativos possui objetivos próprios, conforme exposto acima. No entanto, como se constrói uma governança distinta para cada um deles?

A empresa conta com conselho ou assembleia de sócios, conselho de administração e diretoria. Possui órgãos estruturados com finalidade lucrativa.

A família pode adotar mecanismos voltados à preservação da união, da harmonia e dos valores familiares, por exemplo, por meio de um instituto que leve o nome do fundador, com fins assistenciais ou voltado à preservação de seu legado.

Isso pode ocorrer por meio de um instituto ou até mesmo de um conselho de família, destinado a tratar de assuntos familiares, desde os mais simples até os mais relevantes. Assuntos mais simples podem envolver, por exemplo, a organização do uso de uma chácara, de uma casa de praia, de um barco ou de qualquer outro bem comum.

Os temas mais complexos dizem respeito a como a família irá preservar, por exemplo, a subsistência e a proteção de uma viúva de fundador, de um viúvo de fundadora, ou ainda de viúvos e viúvas de herdeiros.

O artigo de hoje enaltece e destaca que o ativo patrimônio da família empresária pode e deve ser governado e exercitado por meio do que se denomina empresa de gestão de ativos da família.

Esse conceito teve início com o uso do Family Office, cuja razão de ser era meramente instrumental — um meio de auxiliar a família na manutenção e no zelo de seus bens. Com o tempo, entretanto, essa estrutura evoluiu para uma verdadeira empresa de gestão de ativos.

Sob a égide de uma empresa de gestão de ativos, concentra-se uma massa patrimonial composta por bens imóveis, bens móveis e semoventes, podendo incluir ativos imobiliários, edificações, participações societárias, ações e investimentos no mercado de capitais.

A vantagem de se constituir uma empresa de gestão de ativos, eventualmente gerida por familiar, mas com lógica distinta da gestão empresarial tradicional, está na possibilidade de ampliar a liquidez e a diversificação dos ativos.

Isso impacta diretamente na geração de ganhos que não se restringem à atividade operacional da empresa, além de abrir espaço para que integrantes da família se dediquem à administração desse importante ativo da família empresária: o patrimônio.

Nossa experiência demonstra como esse modelo pode ser bem-sucedido.

Já existem casos vitoriosos em que uma família composta por três irmãos herdeiros passou a se reunir em conselho de família, o qual também assumiu a função de conselho de um grupo empresarial. Nesse grupo, uma das unidades de negócio é justamente a empresa de gestão de ativos, conforme o conceito acima descrito; outra unidade é a empresa operacional que deu origem a todo o patrimônio; e há ainda um instituto familiar.

Trata-se, portanto, de uma forma de perenizar a família, a empresa e o patrimônio, com destaque, neste artigo, para a empresa de gestão de ativos.

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