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ANA CLAUDIA WIECHETECK CABECA hojesc

A coragem de posicionar-se

coragem

Um dos movimentos mais difíceis para pequenos empresários é definir o seu posicionamento. Na prática, muitos negócios até conseguem divulgar, produzir conteúdo e manter presença nos canais de comunicação. O ponto mais complexo surge quando é necessário decidir, com clareza, como a empresa quer ser percebida pelo seu público, sabendo que quando essa decisão for tomada, implicará em abrir mão de parte do mercado.

Posicionar-se é fazer escolhas e sustentar as consequencias dela. Escolher o seu público alvo, sua política de comunicação, como deseja competir, que tipo de valor pretende entregar e qual espaço pretende ocupar na mente do cliente. E como toda escolha envolve renúncias, ao definir um caminho, outros caminhos deixam de fazer parte do seu negócio.

É exatamente nesse ponto que muitos empresários recuam. Existe uma tentativa recorrente de construir uma comunicação que agrade a todos, que não gere rejeição e que mantenha portas abertas para qualquer tipo de cliente. À primeira vista, essa estratégia parece prudente, especialmente para quem depende do fluxo constante de vendas. No entanto, do ponto de vista de marketing, ela tende a produzir o efeito contrário.

Quando uma empresa tenta falar com todo mundo, ela perde a força de se comunicar com quem realmente importa. A comunicação se torna genérica e não atinge com eficiência o público que mais interessa para a empresa, porque o cliente não se sente diretamente impactado. A mensagem não parece ter sido feita para ele. E, nesse cenário, a empresa passa a disputar atenção em um nível superficial, sem construir conexões profundas que geram relacionamento.

Este é um ponto que precisa ser encarado com maturidade: tentar ser relevante para todos resulta em não ser realmente importante para ninguém. Os negócios que crescem de forma consistente entendem que o posicionamento não é sobre maximizar alcance a qualquer custo, mas sobre aumentar a qualidade da conexão com o público certo. E isso exige coragem.

Coragem para assumir uma proposta de valor específica, mesmo que ela não agrade a todos. Coragem para sustentar preços coerentes com essa proposta, mesmo diante de comparações com opções mais baratas. Coragem para manter uma linha de comunicação consistente, sem ceder a cada nova tendência ou pressão do mercado. Esse é, essencialmente, um papel de liderança.

O gestor não é apenas responsável por aprovar campanhas ou acompanhar resultados. Ele é o principal guardião do posicionamento da empresa. É ele quem define a direção e, principalmente, quem precisa sustentar essa direção ao longo do tempo. Sem essa sustentação, o posicionamento se torna frágil.

Basta um período de queda nas vendas, um concorrente mais agressivo ou um cliente pressionando por desconto para que muitas empresas abandonem suas escolhas e voltem a um modelo mais genérico. Por outro lado, quando o gestor entende o posicionamento como uma decisão estratégica, a marca ganha força. A comunicação se torna mais clara, as ações passam a ter coerência e o negócio começa a construir uma identidade reconhecível.

Posicionamento exige tempo para se consolidar. Exige repetição de mensagem, consistência nas ações e alinhamento entre discurso e prática. E nada disso acontece quando o negócio muda de direção a cada dificuldade.

Outro ponto relevante é que a rejeição, quando bem compreendida, pode ser um indicador positivo. Ela sinaliza que a empresa está deixando de ser genérica e começando a ocupar um espaço mais definido. O objetivo não é afastar clientes propositalmente, mas sim atrair aqueles que realmente se identificam com a proposta do negócio.

Por isso, uma reflexão importante para empresários e decisores é direta: a sua empresa está tentando agradar todo mundo ou está construindo uma posição clara no mercado? A resposta para essa pergunta costuma revelar não apenas a estratégia de marketing, mas também o nível de maturidade da liderança que sustenta o negócio.

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