
No dia 21 de fevereiro de 1945 tropas da Força Expedicionária Brasileira (FEB) tomaram o cume do Monte Castello na Cordilheira dos Apeninos na Itália. O feito se constitui em uma das maiores glórias da Força Expedicionária Brasileira em sua luta contra o Nazifascismo.
Entre fevereiro e março de 1945 a FEB desenvolveu intensa atividade de combate na linha de frente da Campanha da Itália durante a fase final da Segunda Guerra Mundial. Tais operações, conhecidas como o Plano Encore, foram realizadas de forma conjunta com a 10ª Divisão de Montanha (10ª. DMth) do Exército dos Estados Unidos da América (EUA).
Na ocasião ambas as unidades se encontravam sob o comando do IV Corpo de Exército, então subordinado ao V Exército dos EUA. Foi no decorrer destas operações que foi tomado o Monte Castello, uma elevação que fazia parte da cordilheira que margeia o Rio Reno, ao longo do qual corre a estratégica Rodovia 64 que o comando Aliado esperava liberar para seu uso, em preparação à ofensiva subsequente em direção à cidade de Bolonha.
O simbolismo da vitória brasileira em Monte Castello assumiu desde sempre enorme importância. Afinal sua captura só ocorreu depois de três sucessivas tentativas frustradas, todas caracterizadas por muitas baixas, numa média de 50 mortos e o triplo de feridos em cada uma delas. Até hoje a data da tomada de Monte Castelo (21/02/1945) é uma das duas únicas efemérides comemorativas da participação do Exército Brasileiro naquele conflito, sendo a outra o Dia da Vitória na Segunda Guerra Mundial celebrado em 8 de maio.
O dia 21 de fevereiro de 1945 começou para a Força Expedicionária Brasileira as cinco horas e meia da manhã quando o 1º Regimento de Infantaria (1º. RI) atacou ao longo da face sul do vizinho Monte Belvedere com dois batalhões, depois de breve, mas intensa barragem de bombardeios de artilharia e aviação. Segundo o plano dois batalhões brasileiros garantiriam ambos os flancos das tropas dos EUA. O 1º. Btl. atuou do lado esquerdo em paralelo ao ataque da 10ª. DMth. e o 3º. Btl. do lado direito. Ao anoitecer haviam avançado a ponto de capturar o vizinho Monte Castello.
Para além do simbolismo da ocasião o relatório de operações do IV Corpo de Exército dos EUA notou que se tratava também de uma perda de terreno taticamente significativa para o inimigo, uma vez que o privava do último posto de observação a partir do qual podia dirigir o fogo de sua artilharia sobre alvos Aliados no Vale do Rio Reno como a cidade de Porreta Therme, então sede do comando da FEB.
No dia seguinte o ataque continuou. O 1º. RI seguiu com a limpeza de focos de resistência inimiga na região de Monte Castello tendo tomado e estabelecido posições nas encostas norte daquela elevação, isto é, voltadas para apoiar o avanço dos estadunidenses. O 2º. Btl. do 11RI avançou no flanco esquerdo para fazer a ligação com o 1º. RI ocupando a vila de Abetaia (conhecida dos pracinhas brasileiros como o “Corredor da Morte”) e outras duas povoações próximas.
A Operação Encore só findou no início do mês seguinte e foi bem-sucedida graças ao esforço conjunto, realizado em proporções bastante semelhantes, dos efetivos de brasileiros e estadunidenses envolvidos. A 10ª Dmth era uma unidade de elite, longamente treinada e especialmente adaptada e equipada, embora carente de experiência de combate. A FEB, pelo contrário, padeceu de vários problemas derivados da forma pela qual foi recrutada e treinada, mas por ocasião do Plano Encore já acumulava considerável cabedal de mais de cinco meses de experiencia direta em combates afetos à guerra de montanhas.
A bem-sucedida irmandade de armas de ambas as unidades rendeu frutos e recomendou a continuidade de ações conjuntas, como se viu por ocasião da Ofensiva da Primavera, deslanchada em abril de 1945. Nesta ação coube a 10ª. DMth novamente liderar o ataque principal, ladeada pela FEB, encarregada da segurança de seu flanco esquerdo.
Uma vez mais, da mesma forma que na Operação Encore, as flutuações do combate levaram a uma inversão/alternância de papéis, cabendo a FEB o papel de atrair o grosso do fogo de artilharia dos alemães em proveito da ação principal da 10ª. DMth. Se a FEB não acompanhou a 10ª. DMth até seus objetivos finais nos Alpes isso se deveu a fatores outros que não o seu desempenho militar. Mas isso é tema para uma outra coluna.
Glória Eterna à Força Expedicionária Brasileira e sua luta contra o Nazifascismo.
Dennison de Oliveira é Professor Sênior do Mestrado Profissional em Ensino de História da UFPR e autor de “Para além do Monte Castello: análise das operações conjuntas da Força Expedicionária Brasileira e 10ª Divisão de Montanha do Exército dos EUA no Plano Encore (Itália, 1945)”. In: V Simpósio Nacional de História Militar, 2022, Porto Alegre. Balanços e Perspectivas da História Militar no Brasil. São Paulo: Anpuh Brasil, 2022. v. 1. p. 7-24. Para baixar de forma pública e gratuita clique aqui.

