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O escândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro, tem afetado negativamente a percepção dos brasileiros sobre o Supremo Tribunal Federal (STF). A aprovação do impeachment dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli é de 49,8% e 60,5%, respectivamente, indicam os resultados da pesquisa Atlas/Estadão publicada nesta terça-feira, 22.
O levantamento foi realizado entre 17 e 21 de setembro, após a tumultuada sessão plenária em que ministros discutiram a abertura de uma investigação contra Alexandre de Moraes.
Esses porcentuais refletem a parcela da população que considera já haver indícios suficientes para afastar imediatamente os magistrados de seus cargos. Há ainda quem veja necessidade de aprofundar as investigações. Estes aprovariam a remoção dos membros da Corte caso as apurações demonstrassem o envolvimento deles.
São 31,9% no caso de Moraes e 26,1% no de Toffoli, indica o levantamento. Os contrários ao impeachment dos magistrados são 15,1% e 6,5%, respectivamente, e os que não sabem, 3,2% e 6,8%.
Como o Estadão revelou no dia 1.º de setembro, detalhes de mensagens trocadas entre o ministro e o banqueiro Daniel Vorcaro estão descritos em relatório da Polícia Federal. Os diálogos, extraídos pela PF do celular do dono do Master, mostram o banqueiro pedindo auxílio e orientações a Alexandre de Moraes sobre as investigações envolvendo o banco.
Segundo o documento divulgado pelo Estadão, ainda que o ministro editou minuta de contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes. Ainda no relatório, há registro de um segundo contrato de Vorcaro com o escritório, com valor de R$ 50 milhões e que foi pago por meio da transferência de cotas de duas aeronaves dele, em uma espécie de sociedade oculta, apontam os diálogos.
As conversas também mostram que o Banco Master emitiu, em outubro de 2025, cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para Giuliana e Alexandre Barci de Moraes, filhos do ministro, a pedido do Barci de Moraes.
Já Toffoli foi implicado no caso devido ao resort Tayayá, no interior do Paraná. O empreendimento pertencia formalmente a familiares do ministro e, como revelou o Estadão, tinha como cotista um fundo cujo beneficiário final era Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Daniel Vorcaro.
O magistrado chegou a atuar como relator nos processos da Operação Compliance Zero no Supremo, mas deixou o comando do caso após a revelação de sua relação econômica com o banqueiro. O caso foi redistribuído a Mendonça.
Em março, o instituto AtlasIntel já havia feito questionamentos sobre Toffoli. Na época, 49,3% eram favoráveis ao impeachment dele. Ou seja, houve um crescimento de 11 pontos porcentuais. Naquele levantamento, 33,7% diziam ser favoráveis ao afastamento do ministro apenas se fosse provado seu envolvimento. Outros 12,8% eram contrários e 6,8% não sabiam.
A piora da avaliação sobre o envolvimento de Toffoli ocorre mesmo após a mira das investigações ter se voltado a outros membros do STF. As últimas revelações implicaram mais gravemente Moraes e continham citações aos filhos de Kassio Nunes Marques e Luiz Fux.
Como mostrou o Estadão, mensagens trocadas por WhatsApp por Vorcaro indicam pagamento de R$ 500 mil ao advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Nunes Marques. A informação aparece em conversa do banqueiro com o então diretor jurídico do Banco Master, Luiz Rennó, em julho de 2025.
No caso de Fux, dados do celular mostram conversas do banqueiro com o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro do STF. Nos diálogos, Vorcaro chamou o advogado para “me ajudar num caso” e ambos marcam reuniões em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Rodrigo, em um dos diálogos, respondeu: “Tapete vermelho, irmão”.
Ainda há registros de reuniões do dono do Banco Master com os ministros André Mendonça e Gilmar Mendes. Mendonça admitiu ter se reunido com Vorcaro na sede do instituto educacional mantido pelo magistrado. Após a repercussão do caso, o ministro deixou a sociedade da instituição.
Gilmar também confirmou um encontro com Vorcaro, acompanhado de dois advogados do Banco Master, para tratar de uma causa bilionária de interesse do banqueiro. O Estadão também revelou que o ex-cunhado do ministro, Chiquinho Feitosa, firmou contrato de “assessoria” com a Super Empreendimentos, empresa apontada pela PF como instrumento de Vorcaro para lavar dinheiro e ocultar patrimônio.
A pesquisa ouviu 1.852 brasileiros por meio de recrutamento digital aleatório (pela internet) entre os dias 17 e 21 de setembro. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.

