
Uma grande alegria me invadiu ao visitar a mostra 55 anos MAC-PR no prédio do MON, neste final de novembro. Foi uma oportunidade de reviver o acervo, com o qual convivi diariamente por três anos, que aprendi a conhecer e ao qual me afeiçoei. Um museu é tão bom, ou tão grande, quanto a qualidade de seu acervo! Hoje existem prédios monumentais, construídos por arquitetos geniais, para abrigar os acervos de museus pelo mundo afora, mas esses monumentos são criados por causa dos seus acervos, o que os torna realmente museus. O contrário também é verdadeiro, acervos sem seu espaço físico são quase uma impossibilidade, como o que tem acontecido com o nosso MAC que, agora, depois de anos, terá sua casa reconstruída e reaberta ao público.

O MAC-PR (Museu de Arte Contemporânea do Paraná) nasceu em 1970, da paixão e dedicação do artista Fernando Velloso, em espaços inicialmente provisórios. Só em 1974, no governo de Paulo Pimentel, teve seu espaço próprio. Dar uma casa para o acervo do então Departamento de Cultura da Secretaria de Estado e Cultura do Paraná era uma necessidade. Um museu, assim como uma família, precisa de uma casa sua para crescer e se desenvolver. Foi então, na esquina da praça Zacharias, em um prédio da antiga Secretaria de Saúde e Secretaria do Trabalho – adaptado para receber as obras de arte – que surgiu um museu: o Museu de Arte Contemporânea do Paraná.
Em 1984, por razões que a gente desconhece, a vida me levou à diretoria da entidade. Membro da atuante e politicamente envolvida APAP/PR – Associação Profissional dos Artistas Plásticos do Paraná – fui eleita, em lista tríplice. Como a mais votada, a sugestão foi encaminhada ao então Secretário de Cultura, Fernando Ghignone, que aceitou a proposição e me indicou para ocupar o cargo de confiança, no Governo José Richa. Foi uma experiência muito rica, trabalhosa e prazerosa.

Aos trinta e cinco anos, mãe de três filhos pequenos, resolvi encarar o desafio. Formada em administração de empresas, com pós em administração financeira de hospitais e, tendo administrado por um tempo a Casa de Saúde São Francisco, era também uma amante das artes e escultora já há alguns anos. Assim teve início uma experiência enriquecedora para mim como artista e também como pessoa. Sou muito grata pela oportunidade.
Cada um dos gestores do MAC-PR, em sua maioria mulheres, imprimiu sua marca. Mais do que isso, enriqueceu o acervo do museu, sobretudo com as obras premiadas com o “Prêmio aquisição” dos salões nacionais e estaduais de artes plásticas que eram promovidos em grande quantidade e qualidade na época. Parte desse acervo é hoje apresentado na exposição de seu aniversário, no espaço físico do MON, através do olhar dos curadores Maria José Justino e Marcelo Conrado.

Na primeira sala, a ênfase da escolha dos curadores recaiu sobre a paisagem e os retratos. A exposição é aberta com obras de Miguel Bakun e apresenta a riqueza e variedade de obras nessa linguagem. Segue com retratos que passam pelas técnicas da gravura, pintura e escultura. Na segunda sala, foram selecionadas obras com linguagens diversas, entre geométricos, abstratos e os denominados contemporâneos, tendo sido aberta com texto e obras de Fernando Velloso.
Parte da alma do MAC-PR nos é, cuidadosamente, apresentada nessa oportunidade em que se anuncia a sua volta a seu corpo, sua própria casa. Além de continuar convivendo com o MON em uma de suas salas, terá seus braços alongados para abraçar outros municípios do estado e receberá de volta seu renovado prédio da praça Zacharias. Foi o que anunciou na festa de aniversário, a dinâmica Secretária de Cultura do Estado do Paraná, Luciana Casagrande Pereira.
Aproveite a oportunidade e conheça um pouquinho melhor o seu museu, o Museu de Arte Contemporânea do Paraná.
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