Verdade 1
Todos os clubes que tem campo sintético usam e abusam de argumentos para defendê-lo. Usam critérios da própria FIFA inclusive. Quique da bola, velocidade da bola, altura do plástico, etc.
Sejamos aqui bem transparentes, como sempre fomos. Nem tudo que é “legal” é correto. E também a FIFA não é a entidade que mais exala respeito no planeta.
Já mostramos anteriormente que o número de lesões que o campo de plástico gera talvez não seja maior. Mas, certamente, elas são mais graves, quando ocorrem.
Mas os dirigentes brasileiros não estão nem aí. O negócio é maximizar lucro. A FIFA permite.
Na Europa, onde o inverno geladíssimo atrapalha a manutenção de gramados naturais muito mais do que no nosso país tropical, nenhum clube usa o “synthetic grass field”.
Eles devem estar errados e nós, certos (contém ironia).
Só que o argumento que deve que ser levado em consideração é um estudo divulgado no Journal of Biomechanics, que estudou as lesões na NFL (liga de futebol americano) desde 2021. Completo, incisivo e conclusivo. Lá eles jogam em campos de grama natural e em campos de grama de plástico.
O estudo mostra o teste de tração rotacional. Simula exatamente o que se passa no corpo do atleta em situações intensas de explosão, giro ou paradas. Medido na unidade de força N/m. E aí não há argumentação que sobreviva.
Quando os movimentos dos atletas chegam aos limites, a grama de plástico não se rompe. Toda resistência é transferida para os pés, joelhos, tornozelos. Eles suportam o “tranco” e a grama fica intacta.
No caso da grama natural, quando os movimentos chegam aos limites, quem se rompe é a grama. Arrancar tufo da grama natural não é defeito do gramado. É proteção. A grama estraga, as articulações dos atletas não!
O campo de plástico é sim um destruidor de articulações. Principalmente para atletas de alto nível e com exigências que chegam ao limite de seu corpo. Quem defende o contrário é apenas um interessado na parte econômica (benéfica) que ele (o campo) traz consigo.
Verdade 2
O Brescia é um clube italiano muito tradicional. Tem 114 anos. Em seu passado de glórias e bons momentos, revelou craques como Pirlo, Baggio e Guardiola.
Contudo, administrações mal sucedidas por décadas, colocaram o clube em grave crise financeira. Ausência de capacidade de investimento e constante “desespero” na busca por dinheiro levaram o time a desandar em campo. A última campanha na séria A do Campeonato Italiano foi em 2020 e, de lá para cá, a falta de recursos e credibilidade fizeram com que a equipe definhasse a cada dia.
Brescia não é um dos centros financeiros e comerciais da Itália. Apesar do sucesso passado (principalmente na revelação de atletas) o presente estava corrompido e o futuro comprometido.
População extremamente tradicionalista, da região da Lombardia, não permitiu evolução negocial da equipe para modelos atualizados de gestão de futebol. A “tradição” dizia que a equipe não acabaria, que as dificuldades (principalmente financeiras) seriam superadas por osmose. O mundo se adequaria às dificuldades pelas quais o Brescia estava passando.
E não é que (mais uma vez falando com dose de ironia) o pensamento deles estava errado?
A falência do clube foi decretada. A situação, agora, é basicamente irreversível. A paixão tresloucada dos italianos superou a razão. O sentimento passou por cima das evidências. E o que se constatou foi o fim triste de uma instituição centenária.
Fico tranquilo por isso ter ocorrido lá no norte da Itália, bem distante aqui do Paraná! E ainda mais tranquilo por conta de nenhuma característica do Brescia se assemelhar às características de nenhum clube paranaense!
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